CÓLICA RENAL

A cólica renal pode representar uma das mais intensas experiências de dor. A cólica renal é a manifestação clínica de uma obstrução aguda do trânsito da urina entre o rim e a bexiga. Ela acontece quando o ureter, canal que liga o rim à bexiga, torna-se agudamente obstruído. Geralmente a cólica renal é causada pela migração de um cálculo para este ureter. A urina fica, então, bloqueada e ocorre um aumento da pressão no sistema de drenagem de urina. Este aumento de pressão é transmitido até o rim que sofre distensão em sua cápsula, altamente inervada. Assim, com a distensão desta cápsula, ocorre a dor.

A cólica renal caracteriza-se por ser uma dor de aparecimento súbito. Muitas vezes a pessoa está dormindo e é acordada pela dor. Geralmente não há motivo aparente para que ela apareça. Diferentemente de uma dor lombar, de origem músculo-esquelética, a cólica renal não é desencadeada por esforços físicos, mudanças bruscas de posição ou por movimentação do tronco. Dói espontaneamente. Não melhora com determinada posição e nem tão pouco piora com a mudança de posição. Geralmente acompanha-se de náuseas, vômitos e palidez, quando é muito intensa.

Como é resultado de uma obstrução aguda do ureter, a cólica renal geralmente está associada a uma dilatação do sistema urinário que pode ser detectada pela ultrassonografia. Muitas vezes este exame não detecta o cálculo, mas revela a dilatação do lado em que há a dor. Para se localizar o cálculo, pode se utilizar o exame de Tomografia Computadorizada Helicoidal sem contraste.

O tratamento da dor é baseado no uso de anti-inflamatórios, se não houver contra-indicação. A via endovenosa é a preferida, pois o alívio da dor é mais rápido. Toda medicação pode trazer efeitos colaterais e os anti-inflamatórios podem causar efeitos alergênicos e podem ser de uso arriscado para quem apresenta insuficiência renal. Dipirona e anti-espasmódicos são frequentemente usados, mas são menos eficazes. Outros analgésicos mais potentes e de uso mais restrito podem ser usados em ambiente hospitalar.

Na hora da dor não há vantagem em aumentar a oferta de líquidos para foçar o cálculo a sair. Isto poderá, inclusive, aumentar a dor, pois o sistema urinário está obstruído.

A maioria dos cálculos sai espontaneamente. É sempre melhor quando eles saem espontaneamente. A espera pela eliminação espontânea tem, como desvantagem, a possibilidade de crises de cólica renal. Por outro lado, tem, como vantagem, a possibilidade de se evitar os riscos inerentes de uma cirurgia que envolve instrumentação do trato urinário superior.  Cálculos de até 4mm podem ser expelidos num prazo de até 20 dias. No entanto, se estiver ocorrendo sofrimento intenso ou se o paciente desenvolver febre (infecção) associada à cólica renal, a espera deve ser interrompida e a obstrução do trato urinário deve ser tratada.

 

CÁLCULO DE 6mm ELIMINADO ESPONTANEAMENTE

 

ALERTA

Existe uma tendência de se considerar todos os casos como iguais. Todo mundo conhece alguém ou um parente de alguém que já eliminou um cálculo ou que teve uma cólica renal. Isto nos traz a sensação de ser sempre uma coisa simples. Não se pode banalizar o tema e se subestimar a gravidade de determinados cálculos. 

Sob o mesmo nome de "pedra nos rins" temos diversas situações diferentes. Algumas delas de extrema complexidade e outras de risco de vida. Portanto, "pedra nos rins" não é a mesma coisa para todo mundo.

 

Situações de risco aumentado:

Cólica renal com febre, cólica renal com febre em idoso, cólica renal com febre em diabético, cólica renal com febre em gestante, cólica renal em gestante, cólica renal em rim único, cálculos infecciosos, cálculos de grande volume, cálculos coraliformes, cálculos localizados no ureter alto.

A complicação grave mais temida diante de cálculos que não foram eliminados espontaneamente é a septicemia que significa infecção que se disseminou para o organismo a partir da infecção urinária do próprio paciente.

 

 

TRATAMENTO SEM CIRURGIA - LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA

 

A LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA pode ser usada para cálculos renais menores do que 2 cm ou cálculos de ureter menores do que 1cm nos pacientes que estão sem cólica renal. 

Em alguns casos pode ser necessária a colocação de um dreno interno que é o cateter duplo J.

A litotripsia extracorpórea não oferece resultado imediato. O objetivo é tentar a fragmentação do cálculo em pedaços menores para que o paciente possa eliminá-lo espontaneamente. Portanto, pode haver cólica renal durante a eliminação dos fragmentos.

Como todo procedimento em medicina, a litotripsia extracorpórea não está isenta de riscos.

Em raros casos pode haver traumatismo sobre o rim.

Nem todos os pacientes podem ser submetidos à litotripsia extracorpórea. Gestantes, hipertensos não controlados e portadores de distúrbios de coagulação não são candidatos ao método. Da mesma forma não se aconselha o tratamento diante de infecção urinária não tratada.

Cálculos maiores do que 2 cm resultarão em muitos fragmentos, com risco aumentado de obstrução do ureter por este conjunto de fragmentos (rua de cálculos).

Cálculos muito duros podem ser resistentes a este tratamento. A densidade do cálculo pode ser avaliada pela tomografia computadorizada.

Para os casos de resolução menos complicada, muito selecionados, este procedimento oferece chance de até 80% de sucesso.

  MÁQUINA DE LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA

 

 

CIRURGIA PARA CÁLCULOS

A cirurgia está indicada para aqueles cálculos que terão dificuldade de serem eliminados.

Cálculos maiores do que 5mm terão maior dificuldade para saírem sozinhos.

Quando houver sofrimento para a eliminação ou quando houver complicação ou risco de complicação para o paciente, estará indicado algum procedimento para tratar o cálculo.

 

Cálculos renais de grande volume (maiores do que 2 cm) podem ser tratados por CIRURGIA PERCUTÂNEA. 

Cálculos de ureter alto podem ser tratados por URETEROSCOPIA, quando não tem mais indicação para litotripsia extracorpórea.

Cálculos de ureter baixo podem ser tratados por URETEROSCOPIA 

 

CIRURGIA PERCUTÂNEA E URETEROSCOPIA são procedimentos cirúrgicos. Embora não haja corte externo, possuem seus riscos. Não há nenhum procedimento na medicina que não apresente seus riscos.

 

CIRURGIA ABERTA CONVENCIONAL:

Embora cada vez menos utilizada devido aos avanços tecnológicos, pode e deve ser utilizada quando há impossibilidade de se utilizar os recursos das cirurgias endoscópicas.

As cirurgias abertas foram resolutivas no passado e continuam sendo no presente, quando necessárias.

Converter uma cirurgia endoscópica para uma cirurgia convencional é reconhecer a complexidade do caso e tomar medida eficaz para salvar uma determinada situação adversa.

 

                     

 RETIRADA ENDOSCÓPICA DE UM CÁLCULO                           

 "BASKETS" PARA REMOÇÃO DO CÁLCULO

 "LASER" PARA CASOS EPECIAIS

 

 

 

CATETER DUPLO J:  É um catéter que estabelece a comunicação entre o rim e a bexiga. Ele promove a drenagem da urina que está retida acima de um cálculo. Muitas vezes a passagem deste dreno é uma das opções de desobstrução do trato urinário no tratamento inicial de uma cólica renal. Isto ocorre principalmente diante de cálculos altos com infecção e febre, onde a instrumentação prolongada do ureter pode ser arriscada.

CATETER DUPLO J À DIREITA E CÁLCULO                                                                                                                                               CORALIFORME À ESQUERDA